Por Akracia – Fenikso Nigra

Como sempre, a repressão se abate sobre aqueles que, cansados das promessas vazias, levam às ruas sua indignação contra a opressão, a exploração do capital, a submissão aos partidos e a tutela do Estado. Quando a ordem estabelecida é questionada, a resposta dos que dela se beneficiam raramente se limita ao discurso. A força aparece para lembrar que, por trás das instituições e das belas palavras sobre democracia, ordem e progresso, existe também a disposição de preservar privilégios pela coerção.

A resposta dos opressores é conhecida. Sequestros, torturas, ameaças e assassinatos fazem parte da história daqueles que ousaram enfrentar estruturas de poder. Quando alguém passa a ser considerado uma ameaça à ordem estabelecida, sua vida pode tornar-se alvo daqueles que pretendem conservar, a qualquer custo, as relações de dominação existentes.

Repudiamos essa violência e defenderemos sempre o fim de toda forma de repressão utilizada para preservar privilégios. Não aceitamos que a riqueza produzida por muitos seja apropriada por poucos, nem que aqueles que questionam essa apropriação sejam tratados como inimigos a serem eliminados. Se a violência é utilizada para proteger uma ordem fundada na exploração, a solidariedade entre os explorados precisa ser mais forte que o medo produzido pela repressão.

Os poderosos recorrem aos velhos métodos, conhecidos por gerações de companheiros que, ao longo de mais de dois séculos, enfrentaram perseguições, prisões, torturas e assassinatos. Quando percebem que começam a perder o controle, mostram aquilo que normalmente procuram esconder: a disposição de utilizar a força para preservar a hierarquia.

E a repressão não escolhe necessariamente o confronto aberto. Muitas vezes procura justamente quem está isolado, quem se encontra mais vulnerável, quem não dispõe de uma rede de proteção coletiva. O isolamento facilita a perseguição; a organização dificulta o abuso. Por isso, diante da violência dos dominantes, fortalecer os vínculos entre aqueles que resistem não é apenas uma escolha política, mas uma necessidade concreta.

As estruturas autoritárias dependem da obediência. Precisam que cada pessoa permaneça em seu lugar, que cada trabalhador aceite sua condição, que cada indivíduo reconheça como natural a autoridade de quem está acima. Quando essa obediência é rompida, a hierarquia revela sua verdadeira fragilidade. E é justamente nesse momento que a repressão pode aparecer como mecanismo de contenção.

Nós, anarquistas, repudiamos essa covardia. Não aceitamos que a violência seja utilizada para silenciar aqueles que contestam a exploração, nem que o medo seja transformado em instrumento permanente de governo e controle social. A repressão pode prender corpos, destruir organizações e tentar espalhar o silêncio, mas não consegue eliminar as razões que fizeram nascer a resistência.

É por isso que a organização é indispensável.

Somente através da solidariedade, da ação coletiva e do fortalecimento de organizações autônomas podemos enfrentar as investidas daqueles que pretendem conservar seus privilégios pela força. Onde existe isolamento, a repressão encontra facilidade. Onde existe organização, encontra resistência. Onde existe solidariedade, o medo deixa de ser uma arma exclusivamente nas mãos dos dominantes.

A história demonstra que nenhuma estrutura de poder permanece eternamente intocável. Os dominantes podem possuir riqueza, instituições, armas e mecanismos de repressão. Mas não possuem o monopólio da coragem, da solidariedade nem da capacidade de organização.

A violência do poder não deve nos ensinar a obedecer. Deve nos lembrar por que precisamos construir relações nas quais ninguém tenha poder suficiente para transformar a vida dos demais em objeto de sua autoridade.

Contra a exploração, organização.
Contra a repressão, solidariedade.
Contra a hierarquia, emancipação.

União e luta até a emancipação total!

Repúdio ao capitalismo e seu braço de repressão
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