Voltairine foi educada em um colégio católico no Canadá, de onde fugiu. Tornou-se anarquista em meio aos acontecimentos de Maio de 1886, em Chicago, e colaborou na imprensa anarquista, principalmente na revista Mother Earth, propagando as idéias libertárias por todo o país. Voltairine de Cleyre nasceu em 17 de novembro de 1869 na pequena cidade de Leslie, Michigan, em uma família extremamente pobre que possuía laços com o movimento abolicionista estadunidense. Alguns de seus parentes participaram da famosa Underground railroad, uma rede clandestina que auxiliou dezenas de milhares escravos em suas fugas para territórios sem escravidão. Seu nome foi escolhido em homenagem ao famoso filósofo francês Voltaire – fatos de sua biografia que contribuiriam para a formação de sua retórica libertária pouco depois de sua adolescência.

Ainda adolescente foi matriculada em um convento Católico em Sarnia, Ontário, Canadá, já que seu pai não podia sustentar a família a beira do desespero. Esta experiência teve o efeito de aproximá-la mais do ateísmo do que do Cristianismo. Sobre o tempo que passou lá ela disse, “este tem sido como o Vale das Sobras da Morte, existem cicatrizes brancas em minha alma, onde a ignorância e superstição queimaram-me com seu fogo infernal nesses dias sufocantes”.[2] Mais de uma vez ela tentou fugir, uma delas nadando na água gélida do Porto de Huron Michigan, e andando 17 milhas ao fim das quais acabou por encontrar amigos de sua família que contataram seu pai e a mandaram de volta. De nada adiantaria, pouco tempo depois ela conseguiu fugir novamente para nunca mais voltar.

Após o período no convento de Cleyre se envolveu com o movimento intelectual anticlerical Movimento Livre Pensador contribuindo com artigos para periódicos do Movimento Livre Pensador.

Traduziu muitas das obras anarquistas que foram publicadas nos EUA no século XIX. Foi amiga das pessoas anarquistas Dyer Lum e Emma Goldman, e, quando Emma foi processada, em 1893, escreveu o opúsculo Em Defesa de Emma Goldman do Direito de Expropriação. Manteve contatos também com Kropotkin, em 1897, com o grupo editor do jornal Freedom e com pessoas exiladas espanholas. Morreu aos 45 anos, em junho de 1912, vítima de um ferimento resultante de uma tentativa de assassinato que sofreu alguns anos antes.

(Do material Mulheres Anarquistas nº01, clique aqui para acessar)

Voltairine de Cleyre
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