Luce Fabbri nasceu em Roma, no ano de 1908. Filha do anarquista Luigi Fabbri, conviveu em um ambiente libertário, tendo tido contato com vários anarquistas, entre eles, o diretor do jornal Umanitá Nova, Errico Malatesta. Em 1929, vai para o Uruguai, fugindo do regime fascista de Mussolini, que perseguia brutalmente anarquistas e comunistas. Antes de chegar ao Uruguai, a família Fabbri se separa: seu pai foi para a França, o irmão de Luce e a mãe ficaram em Roma e Luce ficou em Bolonha. Depois, Luce foi se juntar ao pai, na França.

Por pressão da embaixada italiana, Luigi Fabbri ia ser expulso da França, sendo durante este tempo obrigado a renovar de quinze em quinze dias a autorização para ficar em Paris. Mas, uma noite a polícia foi ao hotel onde ele estava e o levaram até a fronteira da Bélgica, por onde atravessou clandestinamente, pois se fosse descoberto teria de voltar preso. Luigi conseguiu chegar até Bruxelas e ali começou a se preocupar com a viagem para a América do Sul. Luce e sua mãe se encontraram com ele em Antuérpia e seguiram para a Argentina. Na Argentina, o pai de Luce se integra à equipe da revista Protesta.

Porém, em 6 de setembro de 1930, um golpe militar acaba com o governo democrático e ordena a destruição das redações de todos os jornais anarquistas. Luigi ainda colabora com o jornal Protesta, com uma página italiana, sendo 3 ou 4 números publicados na Argentina até sua morte. Luigi Fabbri também elaborava outra revista, em formato de jornal, que se publicava na tipografia de Protesta e era distribuída a partir da Argentina. A ditadura na Argentina desestruturou o movimento anarquista. Quatro anos após a implantação da ditadura na Argentina, Luce chega ao Uruguai, mas não é tão forte como foi na Argentina.

Com o golpe de Estado, não se pode mais permanecer na Argentina e então Luigi continua a fazer a revista no Uruguai, até a sua morte. Já integrada ao movimento anarquista no Uruguai, a morte de seu pai não fez com que ela se afastasse do movimento,participando, pelo contrário, ainda mais ativamente. Luce se integrou às Juventudes Libertárias, tentou prosseguir com a revista que ele começou a fazer, mas logo se envolveu em outro projeto de revista, a Estudos Sociais, que tinha como público os emigrantes italianos antifascistas.

Depois da queda do regime na Itália (1945), Luce passa a colaborar com outras publicações anarquistas, através da elaboração de folhetos no Uruguai e na Itália, entre eles, “La libertad en la crisis revolucionaria” e “Anti-imperialismo e anti-comunismo y paz”. Sobre estas publicações, ela disse: “Foram muito importantes para a evolução das minhas idéias, onde sustento que é mais importante o caminho, até a anarquia, do que a meta. Se abandonamos os princípios como forma de chegar mais rápido à meta, suicidamo-nos.”

Depois da Segunda Guerra Mundial, a situação na América Latina estava mais tranquila, a liberdade era mais visível e havia diversas possibilidades de ação. Pouco tempo após a morte do pai de Luce, eclode a Guerra Civil Espanhola. Em contato com Santillan, através de cartas, ela pergunta a ele como pode ajudar as pessoas companheiras espanhóis. A ajuda vaia través de alimentos, roupas e medicamentos. Luce Fabbri seguiu a profissão do pai, que era professor. Dá aulas de literatura italiana na Universidade de la Republica,escreveu inúmeros livros, seja de crítica ao fascismo italiano,em defesa da liberdade e da autonomia individual e social,como em “Camisas Verdes”, de 1933, e “El anarquismo másallá de la democracia”, de 1983, seja na área literária.

A partir de 1949, sua atuação no movimento anarquista, seja no Uruguai ou colaborando em outros movimentos, se torna um pouco mais branda. De vez em quando intervinha nas Juventudes Libertárias e colaborava no Jornal Volontá. O ensino na universidade absorveu a maior parte de seu tempo, o que não a fez deixar de lado suas posições anarquistas, pois realizava um trabalho pedagógico e educacional muito intenso voltado para o Anarquismo, batendo-se muitas vezes com as pessoas conservadoras, e outras tantas com as comunistas, que queriam impor um ensino dogmático marxista.

Nos anos 50 surge a Federação Anarquista Uruguaia (FAU),que existe até hoje, tendo Luce Fabbri estado presente em sua fundação. Luce Fabbri tinha 94 anos quando faleceu, em 19 de agosto de 2000, em Montevidéu. Sua última atividade foi o conselho editorial da revista Opción Libertária, fundada em 1976.

(do material Mulheres Anarquistas vol. 01, clique aqui para acessar)

Acesse aqui uma entrevista com Luce Fabbri

Livro Propinqua Libertas

Luce Fabbri
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