
Por Akracia – Fenikso Nigra
Talvez o veganismo seja visto como moda porque ele nos convida a fazer algo que nem sempre gostamos: pensar antes de consumir. No dia a dia, é muito mais fácil seguir no automático, comprar o que sempre compramos, comer o que aprendemos a comer, sem parar para refletir de onde aquilo vem ou quais consequências carrega. Pensar exige esforço, e questionar hábitos antigos pode ser desconfortável.
Quando alguém escolhe o veganismo, não está apenas mudando a alimentação, mas chamando atenção para algo simples e ao mesmo tempo profundo: nossas escolhas afetam outros seres. Animais sentem dor, medo e vontade de viver, e hoje já existem alternativas suficientes para nos alimentarmos e nos vestirmos sem causar sofrimento ou exploração desnecessária. Mesmo assim, muitas vezes preferimos não olhar para isso, porque olhar implica responsabilidade.
Chamar o veganismo de moda pode ser uma forma de minimizar essa reflexão. Se for só uma tendência passageira, não precisamos levá-la a sério nem repensar nossos costumes ou sair de “nossa sagrada” bolha de conforto, recheada de milhões de mortes! Mas, na prática, o veganismo levanta uma pergunta básica: se podemos escolher consumir de outra forma, por que não escolher a que causa menos dano?
O fato de o veganismo estar mais visível hoje tem relação com o acesso à informação. Nunca foi tão fácil saber como os alimentos são produzidos, quais impactos eles causam no meio ambiente e como os animais são tratados. Essa informação chega, incomoda e provoca mudanças — ainda que lentas. Nem todo mundo que reflete muda imediatamente, e tudo bem. O importante é abrir espaço para o questionamento e causar o desconforto, furar a bolha ilusória de que tudo é assim e acabou…
Não acaba até a emancipação total de todos os seres vivos!
No fim, talvez o veganismo não seja sobre ser perfeito ou radical, mas sobre consciência. Sobre sair do consumo automático e perceber que nossas escolhas diárias não são neutras. Quando existe a possibilidade de viver causando menos sofrimento, refletir sobre isso deixa de ser moda e passa a ser um exercício de responsabilidade.
Na luta somos pessoas dignas e livres!





