Por LoBo – Barricada Libertária

Sou anarquista porque não reconheço legitimidade em um regime que se sustenta no controle dos corpos, na exploração do trabalho e no terror como política de Estado. O regime dos aiatolás no Irã é uma engrenagem de dominação patriarcal e de classe: uma teocracia que transforma a religião em instrumento de disciplina, punição e morte, dirigida sobretudo contra mulheres, dissidentes e a classe trabalhadora.

No Irã, o Estado não governa, sequestra a vida. Mulheres e pessoas dissidentes de gênero são tratadas como propriedade, vigiadas em cada gesto, assassinadas quando desobedecem. Trabalhadores e trabalhadoras são empurrados à miséria enquanto elites religiosas concentram poder e riqueza. Essa violência não é um erro do sistema, é o funcionamento normal de uma estrutura construída para oprimir.

As revoltas nas ruas não pedem reforma, expressam recusa total. As manifestações recentes são atos de sobrevivência e insubmissão coletiva. São pessoas da classe trabalhadora, jovens e mulheres enfrentando um Estado armado apenas com solidariedade, coragem e revolta organizada. Quando se grita por liberdade, afirma-se a recusa em continuar vivendo sob submissão.

Minha solidariedade é com quem luta, não com governos, nem com imperialismos que simulam preocupação enquanto aprofundam a exploração por meio de sanções e interesses geopolíticos. Nenhuma libertação virá do Ocidente, de eleições controladas ou da substituição de um tirano por outro. A libertação só pode ser feminista, anticapitalista e antiautoritária, construída pela auto-organização da classe trabalhadora e pela destruição de todas as hierarquias.

Contra os aiatolás, contra o patriarcado, contra o capital e contra o Estado.
Pela autonomia dos corpos, pelo fim da exploração e pela revolta como prática cotidiana.
Enquanto houver dominação, haverá resistência.
Liberdade para quem luta.

Todo apoio ao povo iraniano, contra todas as tiranias!
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