
Por Akracia – Fenikso Nigra
Apresentam a economia como campo técnico, distante da vida cotidiana, governado por números e especialistas. Essa aparência de neutralidade não é acidental — é estratégica. A economia decide quem trabalha demais e quem descansa pouco, quem passa necessidade e quem acumula sem limite. Não há nada de técnico em definir quem vive com dignidade e quem deve aceitar a escassez como destino.
Taxas de juros, metas fiscais, cortes de gastos, controle da inflação — cada uma dessas decisões beneficia uns e prejudica outros. Quando dizem que “não há alternativa”, ocultam o essencial: sempre há escolha. A questão nunca é se existe alternativa, mas quem decide e a favor de quem. A economia não pergunta o que é justo; pergunta o que é rentável para quem já concentra poder.
O discurso econômico transforma decisões humanas em leis naturais. Crises se tornam inevitáveis, desemprego vira ajuste necessário, miséria vira efeito colateral aceitável. Assim, ninguém parece responsável. A exploração se apresenta como matemática, e a desigualdade como consequência técnica — não como projeto deliberado de concentração de riqueza.
Quem controla a economia controla o campo do possível. O que pode ser financiado, o que pode ser construído, o que pode ser garantido como direito. Sempre há recursos para resgatar bancos, subsidiar grandes empresas e proteger investidores. Para garantir vida digna, tempo livre e segurança material para a maioria, dizem que o orçamento não permite. Mas orçamento é prioridade — e prioridade é escolha política.
A política aparenta decidir enquanto a economia impõe os limites reais. Governos mudam, discursos se alteram, mas certas prioridades atravessam gestões intactas. O mercado é tratado como entidade sensível que precisa ser tranquilizada a qualquer custo. Pessoas são orientadas a se adaptar, apertar o cinto, esperar dias melhores que nunca chegam.
A economia não é um espaço separado da política — é onde a política mostra sua face mais crua. Ali, o poder não promete; executa. Não pede voto; impõe condições. Não fala em cidadania; exige produtividade. É no terreno econômico que se revelam as hierarquias reais de uma sociedade.
Neutralidade econômica é a linguagem preferida do poder quando não quer ser questionado.
Questionar a economia é questionar quem decide, quem lucra e quem paga o preço dessas decisões. Enquanto aceitarmos a economia como esfera neutra, permaneceremos submetidos a escolhas que moldam nossas vidas sem nosso consentimento efetivo. Não existe gestão econômica justa dentro de um sistema construído para concentrar poder e riqueza.
Na luta somos pessoas dignas e livres!





