Parto da concepção de que vegano seria aquela pessoa que pratica o veganismo, uma opção consciente e moral de vida que exclui totalmente o consumo de qualquer tipo de produto de origem animal. Para fins de ilustração, pessoas veganas não consomem produtos de empresas que fazem testes com animais, que tenham como base de matéria prima seres vivos ou que mantêm trabalhadoras em regime análogo ao da escravidão.

Parece simples, mas o seu desdobramento em uma sociedade como a nossa, marcada por uma narrativa temporal recheada de exploração e opressão tanto para os animais como para as pessoas não é.

Com isso em mente, as práticas e estratégias são orientadas para libertação dos animais. Isso é o cerne da proposta, e por isso repito: LIBERTAÇÃO ANIMAL.

A forma que isso se ocorre será marcada pela capacidade organizativa de cada pessoa envolvida e geralmente leva a unir em grupos, coletivos, associações e tantas formas. As iniciativas realmente são amplas e criativas, mas a marca é transmitir o objetivo de libertação animal e realizá-la sempre que possível. De fato, o veganismo não está reduzido a questão “nutricional” ou de “dieta”. Isso é apenas uma parte da luta vegana.

O maior obstáculo para o veganismo são as empresas que usam ou usaram os animais como base de exploração. Oportunamente essas empresas estão se travestindo de “boazinhas” e criando produtos com selos “veganos”, para atender um mercado de consumo que posso escrever “hipsters” = pessoas que se veem como alternativas e com algum poder aquisitivo, o que levam a se comportar como um grupo de consumo, apoiando as empresas construídas e manchadas pela exploração e opressão de animais e de pessoas, por exemplo a JBS (que é do grupo J&F) que possui um portfólio de produtos a base de sofrimento e morte animal, e estão envolvida em grandes escândalos de corrupção.

Para uma pessoa engajada com a concepção acima descrita, os produtos da J&F não são de nenhuma forma uma opção para a luta vegana, pelo contrário, é uma distorção oportunista de uma máquina de negócios que não se importa e nunca se importou com os animais e nem com as pessoas, mas com lucros de mercado e um profundo compromisso com o capitalismo, extorquindo as riquezas do mundo e beneficio próprio!

A coerência ideológica vegana é o não consumo desse tipo de produto.
A estratégia vegana é manter e ampliar as campanhas pessoais e coletivas contra todas as formas de exploração e opressão animal. Um aumento das campanhas anticonsumo e de libertação animal é necessário para frear as fraudes documentais e as falsidades ideológicas que surgiram com o advento do “estratégico” consumo das marcas opressoras de animais… rompimento com esse “desserviço” a luta vegana é muito importante!

Mais que isso, é necessário valorizar realmente as lutas de pessoas e grupos que formaram resistências de consumo em ambiente livres de exploração e opressão animal e humana, enfrentando as grandes gigantes com o grupo J&F, Nestlé, Cargill, Unilever entre nem tantas assim!

São essas pequenas iniciativas que fazem a diferença na luta e na estratégia vegana!

O veganismo estratégico é luta direta, é anarquia, é anticonsumo e não se ajoelhar as grandes multinacionais, virando pessoas garotas propagandas dessas marcas gravadas na dor e na violência contra todos seres vivas! É imoral, é contrário a base do veganismo e deve ser evitado.

Se querem mesmo assim manter esse consumo de produtos das grandes carniceiras, não chamem isso de veganismo estratégico, porque repito, é falsidade ideológica e fraude documental!

Por Joana Correia

Fraude documental e falsidade ideológica não é estratégico!
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