Cooperativa é uma organização comum hoje em dia para as pessoas trabalhadoras, embora para muita gente mais jovem não tenha uma noção maior e muitas das pessoas mais experientes não sabem muita coisa sobre as cooperativas.

É muito frequente a oferta de trabalho em regime de cooperativismo. Mais nem sempre foi assim, no inicio do século passado, aproximadamente na primeira década as pessoas trabalhadoras eram brutalmente exploradas, de domingo a domingo por um salário de fome e uma longa jornada de trabalho de 14 a 16 horas por dia, submetidas a maus tratos e a falta de equipamento de segurança e também era muito comum se encontrar crianças no quadro de trabalhadoras das fabricas.

Nos bairros operários apesar de toda exploração patronal e repressão policial, havia muita energia para montar e resistir organizações sindicais livres, de princípios anarquistas, devido a grande influência imigratória do período.

Organizavam sindicatos para lutar e organizar as trabalhadoras oprimidas e exploradas, dentro desse conceito de organização sindical revolucionária iniciou uma forma de se livrar da patronal com os poucos recursos que existiam, fundaram organizações livres chamadas de cooperativas operárias.

As cooperativas de trabalhadoras são formas de trabalho coletivo e apoio mútuo dentre as pessoas trabalhadoras que sobre o regime de autogestão decidiam em assembleia como e quando iriam trabalhar além de repartir as tarefas e os lucros de forma igualitária em que cada uma recebe de acordo com suas necessidades.

Essa forma grandiosa de trabalhar foi crescendo e como as pessoas trabalhadoras transformavam a matéria prima e negociavam seus produtos as diretamente com compradoras, a patronal viu naquela forma de trabalho autossustentável um grande obstáculo e na medida que a ideia se expandia mais e mais, a patronal ia ficando sem mão de obra ou ainda tendo que competir com as suas antigas empregadas.

O modelo chamou muita atenção, e como sempre a medida que a patronal se sentia ameaçada, entrava com recursos para reprimir as pessoas trabalhadoras.

A policia começou a intervir e a acabar com essas cooperativas “subversivas”.

Muitas foram saqueadas e roubadas além de ter o equipamento danificado, a policia reprimia de forma brutal as trabalhadoras e as prendiam. Aquelas
que eram imigrantes muitos delas tiveram que
ser deportadas sobre a acusação de anarquismo ou agitação sindical. E assim uma grande forma de organização autogestionária foi sendo cassada exterminada pela burguesia, porem se manteve em resistência durante todo o tempo mais de forma menos evidente e também nas zonas rurais bem afastados dos grandes centros urbanos.

As pessoas mais idosas pouco conheceram ou ouviram falar desse sistema de trabalho autogerido por conta da repressão ocorrida, porém de algumas décadas até os dias atuais reapareceu o uso da palavra porém sem o mesmo sentido. A burguesia cada vez mais, cria formas de explorar mais as trabalhadoras e uma dessas formas foi a criação desse sistema que associa o nome de cooperativismo onde uma ou algumas pessoas fundam uma cooperativa de um ou mais ofícios e cada trabalhadora se torna cooperada, porém não é uma associada plena, completa e sim uma “funcionária” da cooperativa, tornando uma cooperativa de fachada, um “coopergato”. As pessoas se tornam “cooperadas”, porém não há uma divisão justa dos lucros e recebem bem menos do que receberiam se trabalhassem sobre registro em carteira, sem férias e nem FGTS, não tem como reclamar porque são “cooperadas”.

São cooperadas na hora do esforço laboral mais são meras funcionárias na hora do pagamento.

Esse sistema é muito comum por ser uma farsa, pois as trabalhadoras trabalham e muitos são dispensadas
sem receber nada pelo que trabalhou.

As pessoas donas das cooperativas, as que nunca chegam a uma linha de trabalho ou de produção, recebem todos os lucros, mais isso não é ser patronal? Não de acordo com a constituição burguesa que permite essa prática cada vez mais comum na vida das pessoas trabalhadoras.

Essa forma barata de se explorar ganhou atenção devido a facilidade de serem criadas por lei, de se explorar, já que com os gastos de um trabalhador de carteira assinada por exemplo, as pessoas donas das cooperativas (patronal) pagam 2 trabalhadoras ou até mesmo mais e não tem a dor de cabeça de que estas trabalhadoras se lancem em greve, pois as mesmas de imediato são desligadas sem um tostão e suas vagas abertas para outras trabalhadoras, a burguesia e o Estado investem muito nessa forma análoga a escravidão de trabalhar e até mesmo os trabalhos
que antes se conseguia através de concursos esta sendo substituídos pela terceirização e uso de cooperativas.

Essas organizações são de fato corporações capitalistas de exploração, uma única cooperativa pode ter infinitos ramos de trabalhos, ou seja, pode ser de
vários ofícios ao mesmo tempo tendo apenas algumas donas da cooperativa e milhares de trabalhadoras, de pessoas empregadas com sua mão de obra por miséria sem equipamentos de proteção adequados e sem direito a reivindicar nada ou de se organizar pois ao primeiro sinal de organização trabalhista a mesma é desligada. O que também leva as trabalhadoras a desempenhar um trabalho mal feito, pois o mesmo cometendo vários erros simplesmente é enviado para outro local de trabalho, já que a cooperativa da assistência a muitos e outro entra no seu lugar fazendo que as pessoas não se empenhe nos seus trabalhos nem evoluam em suas técnicas e conhecimentos no oficio desempenhado.

Devemos estar atentos a essa forma de exploração que leva o nome da organização livre que nasceu dentro do sindicalismo revolucionário, mas que exerce o papel desgraçado da patronal; declaramos sempre a guerra ao trabalho escravo, ao trabalho sem direitos, a exploração e opressão capitalista as trabalhadoras.

Criemos nós cooperativas de fato, com base no principio da autogestão e da cooperativa que nasceu dentro do sindicalismo revolucionário nos bairros operários no século passado, propaguemos organização livre contra a corporações capitalistas que escravizam a nossa gente trabalhadora, organizemos sindicatos livres e revolucionários para nos organizar e combater toda opressão burguesa que estrangula as pessoas e matam a vida na terra.

Organizamos e lutamos unidas, porque na luta somos dignas e livres!
Por: Aurora de esperança.

Cooperativismo ou corporativismo?
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