
Por Akracia – Fenikso Nigra
A educação brasileira reflete as desigualdades que atravessam nossa sociedade. Enquanto alguns poucos têm acesso a escolas bem equipadas, a maioria da população convive com salas superlotadas, infraestrutura precária e um modelo pedagógico que prepara estudantes para obedecer, não para pensar criticamente. O anarquismo questiona essa estrutura e propõe alternativas concretas baseadas na autonomia e na cooperação.
A educação libertária não aceita a hierarquia rígida entre quem ensina e quem aprende. Defende que o conhecimento se constrói coletivamente, valorizando as experiências de cada pessoa. Isso não significa ausência de orientação, mas sim uma relação horizontal onde educadores e educandos compartilham saberes. Essa perspectiva reconhece que cada indivíduo traz consigo conhecimentos válidos, vindos de sua vivência, cultura e comunidade.
No Brasil, iniciativas educacionais autogeridas demonstram que outras formas de aprender são possíveis. Grupos comunitários organizam espaços de educação popular onde crianças e adultos estudam sem a pressão de notas ou competição. Nesses ambientes, o aprendizado acontece através de projetos práticos, debates coletivos e atividades que conectam o conhecimento à realidade local. Bibliotecas comunitárias, cursinhos populares e escolas ocupadas por movimentos sociais são exemplos dessa educação em ação.
A diversidade de métodos é fundamental. Não existe uma única forma correta de educar, assim como não há um conhecimento superior a outro. A experiência de uma agricultora sobre o cultivo da terra tem tanto valor quanto teorias acadêmicas sobre agricultura. Conectar diferentes saberes enriquece o aprendizado e rompe com a ideia de que apenas o conhecimento formal importa.
Historicamente, experiências não europeias mostram a força da educação libertária. A Escola Moderna de Francisco Ferrer, que inspirou iniciativas na América Latina, propunha uma educação racional, científica e livre de dogmas religiosos ou estatais. No México, durante a Revolução de 1910, comunidades indígenas e camponesas criaram escolas autônomas onde se ensinava em línguas nativas e se valorizavam práticas agrícolas tradicionais. Essas iniciativas foram combatidas justamente por ameaçarem o controle do Estado sobre a formação das pessoas.
Praticar a educação libertária hoje significa criar espaços onde o questionamento seja incentivado. Rodas de conversa em comunidades, oficinas de habilidades práticas, grupos de estudo autogeridos e trocas de saberes entre vizinhos são formas de construir autonomia. Quando ensinamos alguém a consertar algo, a cultivar alimentos ou a organizar uma assembleia, estamos multiplicando a capacidade de autogestão.
A educação libertária também respeita os ritmos individuais. Nem todas as pessoas aprendem da mesma forma ou na mesma velocidade. Forçar um padrão único cria frustração e exclui quem não se encaixa no modelo. Oferecer múltiplas abordagens e respeitar as diferenças torna o aprendizado mais efetivo e humano.
Transformar a educação exige ação direta. Não precisamos esperar que governos reformem escolas. Podemos começar agora, organizando estudos coletivos, compartilhando conhecimentos em praças e centros comunitários, criando bibliotecas de rua. Cada pequena iniciativa desafia o monopólio do saber e demonstra que a educação pode servir à libertação, não à domesticação.
Na luta somos pessoas dignas e livres!





