
Barricada Libertária
A SÍNTESE ANARQUISTA COMO GUARDA-CHUVA LIBERTÁRIO
O anarquismo não constitui sistema fechado, doutrina única ou manual de instruções pronto para aplicação em qualquer lugar. Trata-se de tradição política viva, plural e em constante transformação, marcada por múltiplas vertentes que compartilham um mesmo horizonte: a superação de toda forma de dominação, a construção da autogestão coletiva e a organização social baseada no apoio mútuo, na horizontalidade e no federalismo.
Ao longo de sua história, o anarquismo desenvolveu diferentes caminhos para perseguir esse horizonte. Algumas vertentes enfatizam a organização no mundo do trabalho; outras privilegiam a vida comunitária, a ecologia, a cultura, o feminismo libertário ou a autonomia individual. Nenhuma delas esgota, por si só, a riqueza do projeto libertário. Cada qual representa leitura particular de um mesmo tronco comum.
O que é a síntese anarquista?
A síntese anarquista surgiu na década de 1920, principalmente a partir das experiências e elaborações de Sébastien Faure, na França, e Voline, no contexto da Rússia pós-revolucionária e da Guerra Civil. Diante de divisões internas que fragmentavam o movimento libertário, essas figuras propuseram forma de articulação capaz de reconhecer a diversidade como força, não como problema.
Em vez de exigir linha única, programa rígido ou identidade homogênea, a síntese oferece espaço comum capaz de abrigar diferentes vertentes sob princípios compartilhados: anti-autoritarismo, autogestão, solidariedade e decisão de baixo para cima. Por isso, pode ser compreendida como grande guarda-chuva libertário — não estrutura centralizada que comanda, mas federação aberta que conecta, protege e possibilita diálogo entre experiências distintas.
Na luta somos pessoas dignas e livres!





