Por Akracia – Fenikso Nigra

Dizem que o Estado existe para garantir direitos, manter a ordem e proteger a sociedade. Mas basta olhar ao redor para perceber uma verdade incômoda: essa proteção nunca alcançou todo mundo da mesma forma. O Estado não nasceu para defender gente comum — ele se ergueu para blindar propriedades, assegurar contratos e sustentar um modelo específico de economia.

Quando vida e lucro entram em conflito, a decisão já está tomada. Leis, tribunais e forças repressivas se mobilizam com rapidez impressionante para defender patrimônios. Enquanto isso, necessidades elementares — moradia, comida, descanso — seguem tratadas como concessões condicionadas. Propriedade e acumulação, essas sim, permanecem intocáveis.

O Estado se apresenta como juiz imparcial, mas opera como gestor permanente da desigualdade. Ele preserva a concentração de riqueza, mantém a dependência de quem precisa vender trabalho para sobreviver e transforma exploração em rotina legal, previsível e administrável.

Impostos, subsídios, endividamento público e política econômica não são instrumentos técnicos neutros. São escolhas políticas recorrentes, sempre inclinadas aos mesmos interesses. Quando o mercado entra em colapso, recursos públicos aparecem sem hesitação. Quando pessoas entram em colapso, surgem discursos sobre mérito, esforço e responsabilidade individual.

A polícia não protege a vida em abstrato — protege a ordem existente. O sistema de justiça não persegue um ideal universal — assegura estabilidade para negócios e continuidade para hierarquias. O Estado não corrige as distorções da economia; ele as administra para que nunca ameacem quem ocupa o topo.

Perguntar a quem o Estado realmente serve desmonta a ficção central da política institucional. Ele não se orienta pelo bem comum, porque o bem comum nunca foi seu critério. Sua função é manter de pé uma estrutura onde poucos decidem e muitos se adaptam.

O Estado não é um desvio do sistema econômico — é seu braço organizado, sua garantia armada, sua justificativa legal.

Enquanto aceitarmos o Estado como mediador indispensável, continuaremos aceitando que nossas vidas sejam subordinadas à lógica do lucro, da produtividade e da obediência. Questionar o Estado é também questionar a economia que ele protege. Não existe neutralidade quando o poder escolhe seu lado todos os dias.

Na luta somos pessoas dignas e livres!

O Estado existe para proteger quem?
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