Boa parte das pessoas demonstram sentimentos de aprovação, aceitação para determinados fatos, e outras não o fazem, ao contrário reprovam e em muitos casos usam o que chamamos habitualmente de crítica, muitas vezes baseadas nos padrões de preferências muito peculiares para cada pessoa e assim como um orificio anal, cada um tem o seu.

O assunto que movimenta as teclas que formam esse texto é o fato de muitas destas pessoas críticas, inconformadas e até muitas vezes, ferinas; mas só assim são em mundos virtuais e nas teias sociais ou redes (ambas prendem as pessoas mais desatentas!). Observando tais seres mais de perto e as acompanhando (se saco e tempo dispormos a isso!) teremos algo superficial, raso e inócuo!

Todo esse inconformismo atende apenas uma frustração momentânea, daquelas que as crianças manifestam quando algum desejo não é atendido. Em muitos casos, são apenas posições acomodadas de quem não tem ou perdeu totalmente seu engajamento prático com a causa que acredita ter algum vínculo.

Uma ilustração é o caso das pessoas veganas. Em uma montanha de grupos, fóruns e onde mais for que reúna pessoas que tenham alguma relação com o veganismo, é comum surgirem carteiradas de que isso é vegano e aquilo não é. Com um pouco de discernimento podemos intuir que mais de 80% do que é acusado pelo “veganometro” (um neologismo que seria algo como um “medidor de veganismo”!) é encheção de linguiça vegana… aff! Um tempo, energia e paciência que muitas pessoas possuíam para ações muito mais emblemáticas, sérias e que poderiam de fato fazer alguma diferença são irremediavelmente perdidas por esse “ilusório ativismo” virtual.

É urgente práticas no mundo real e essa prática não podem ser ditadas pelo mundo virtual. O ativismo realizado no mundo virtual é importante mas não fundamental para as práticas de ação direta, de posturas mais inconformadas, uma vez que o “não se conformar” nos impele a construir uma ação, uma resposta que faça sentido ao que não nos conformamos. O fato de se conformar em apenas se inconformar pelas mundos abstratos eletrônicos, é estarmos adestradas a não reagir mais de outro modo, o que uma baita vantagem para um sistema que procura meios de controle social mais baratos e eficientes. Toda vez que temos que tirar uma foto ou realizar um “textão” para que um monte de “pessoas inconformadas” possam colocar um pequeno ícone de aprovação ou desaprovação, estamos fazendo a manutenção do sistema que nos oprime e nos explora. E isso não causa transformações profundas e necessárias nas relações de exploração e opressão em que estamos submetidas.

Se esta pequena explanação tenha de alguma feito sentido a quem a leu, o resumo é que não devemos ficar apenas inconformadas pelas veredas virtuais, mas realizar muito mais ações nos ambientes reais de nossa vida cotidiana, onde se urge ações críticas tanto de calibre individual como de magnitude coletiva.

Na luta somos dignas e livres!

Texto original na publicação Anarkio 02

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