A inspiração desse texto é a forma como, por opções pensadas para uma vivência libertária na redução da opressão e exploração, somos ou nos tornamos pessoas indesejáveis porque toda a sociedade, embora tenha de alguma forma uma percepção do que seria algo melhor e diferente poderia ser feito, que a diminuição da opressão e exploração se inicia com pequenas decisões, simples e que aparentemente de impacto pequeno diante de uma comunidade de 7 bilhões de viventes, se incomoda com as pessoas e os grupos que se dedicam de fato no processo de transformação social.

O primeiro incomodo que causamos é negarmos o Estado e a política “tradicional”; o modelo democrático representativo e a constelação de partidos que o compõe e que não passam de grupos criminosos que usam dessa “legalidade” formalizada pela imposição para nos roubar, explorar e oprimir, ou seja, atendem e atenderão sempre os interesses próprios e dos grupos de poder e influência que os apoiam. Assumimos diante disso, a proposta e metodologia anarquista, como base horizontal de relações politicas e sociais, onde cada pessoa é respeitada como parte importante de uma sociedade justa e igualitária. Somos indesejáveis por nossa sinceridade, por nossa desobediência as eleições, por denunciar os partidos de todos o lados e nos manter desconfiadas mesmo de grupos autoritários/totalitários.

Adotamos o esperanto como idioma de convivência cultural, de respeito das diversas expressões desse mundo; um idioma criado para uma comunicação da paz e amor entre as pessoas de todos os lugares; o esperanto não se impõe e não possui nenhum elementos autoritários/totalitários em sua formação. O Esperanto é uma proposta de comunicação não impositiva e isso o torna indesejável, já que expõe justamente a dominação cultural associada a dominação econômica e ou militar que de outra forma não seriam compartilhadas da forma corriqueira que são.

Por respeito e uma consciência de emancipação, libertadora de qualquer opressão e exploração, temos nos conceitos veganos uma importante referência. Adotar no dia-a-dia uma atitude não opressiva, não exploratória traz a tona o quanto nos somos ainda exploradas e oprimidas como pessoas, como transferimos a violência que sofremos aos animais e o usamos para aliviar nossa própria frustração e realizar uma compensação psicológica de nossa covardia.

Pensamos que o amor é algo livre, que os relacionamentos afetivos não são normativos e regrados de forma padronizada e nem que o conceito binário sexual seja a referência mais indicada na sociedade. Somos pessoas indesejáveis por defender que as relações entre as pessoas assumem diversas possibilidades, sempre orientadas em não oprimir, não ser oprimida; não explorar, não ser explorada.

Perceba que há uma referência comum que repetirei em destaque e como reforço:

Não oprimir, não ser oprimida;
Não explorar, não ser explorada.

Se aplicada com coerência essa referência, sem a hipocrisia religiosa que reina no Brasil (talvez em todo o mundo, mas não o conheço para fazer tal afirmação), verá que rapidamente que será uma pessoa indesejável.

Mas não é ser simplesmente do contra sem fundamentos, porque isso seria inconsequência de uma juventude cheia de hormônios desregulados que por uma pretensa rebeldia acabam repetindo uma ciranda de violências e sensos comuns culminando em seres distorcidos, repetindo a cultura totalitária, conservadora e reproduzindo a exploração e opressão. Somos indesejáveis até com as pessoas ditas “indesejáveis” justamente por não fazer coro nessa “rebeldia passageira anarquica de juventude”, “uma fase na minha brilhante vida…”. Vemos pessoas que pouco contato tiverem com a teoria anarquista e principalmente com sua metologia prática, saem batendo em seus peitos recém tatuados se dizendo “anarka isso ou aquilo”, proferindo máximas de “aparência anarquista”, mas preconcebidas em fontes liberais e ultra-conservadoras.

Oh! Como somos indesejáveis! E não iremos abrir mão disso por um pouco de aceitação de pessoas opressoras, exploradoras! Que definhem em terapias onde suas culpas as afogarão!

Seja indesejável, faça resistência contrariando as aparências e as cagações de regras que oprimem e exploram a todas!

Assuma como compromisso o que realmente te libertará e isso para uma sociedade de pessoas escravas será indesejável.

Somos indesejáveis!
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