Uma reflexão sobre as discussões sobre o machismo sempre leva algumas situações interessantes, talvez uma das mais inusitadas seja o fato que as pessoas homens dentro de um modelo comportamental, oriundas da natureza e mantidas pelos milhares de anos da humanidade através de sua peculiar violência e hierarquia, estejam em um dilema em como romper com o machismo e sem ficarem sem uma identidade. Se por um lado devemos atacar o machismo, denuncia-lo como uma parte do processo de exploração e opressão geral, devemos nos reconstruir como pessoas sem as pré-definições existentes, o que é bem difícil mas não impossível.

Isso poderia muito bem ser uma saída fácil e muitas mulheres tem razão no fato de que se ao promover uma equalização, um nivelamento agora e imediato entre todas as pessoas (e numa situação ideal, de todos os desdobramentos possíveis de relacionamento sexual e afetivo), sem adentrar pela nossa memória passada, estaríamos suprimindo a compreensão de todos os efeitos terríveis que o machismo casou a toda a humanidade, sem exceções. Ao mesmo tempo que se deve entender que não há borracha que repare os erros, também é equivocado que o machismo será derrubado por grupos de mulheres ou por grupos de homens, mas será da força de sua união nesse processo de superação de algo tão danoso e enraizado milenarmente.

O machismo é terrível para as pessoas homens e por isso elas devem abandona-lo. O machismo criou e cria uma hierarquia de violência entre as pessoas, e a suposta solidariedade entre iguais nada mais é do que uma imposição pela força e pelo temor. Isso é culturalmente imposto a todos as crianças de forma que acreditam numa “normalização” de sua brutalidade e de sua suposta superioridade sobre outras pessoas que julgam diferentes com esse olhar e isso também para outras espécies. Uma besteira grande nos surpreende de ter chegado ao século XXI e não só chegou, como se mantém impositiva sobre a sociedade e é um esteio do modelo de exploração e opressão. É um processo hierarquizado de dominação em que uma pessoa se submete a outra até que essa seja derrubada por outra mais esperta ou mais forte, ou ambos os casos (muito raro por sinal!).

Muitas mulheres compreenderam essa situação e formam grupos de apoio, de luta e de defesa contra esse processo de dominação, exploração e opressão que vivenciam quotidianamente. Muitas estão recorrendo a um processo de irmandade feminina para o enfrentamento necessário, e é claro que isso leva desdobramentos interessantes e que nos fazem pensar e ainda bem.

Ao causarem esse estranhamento ou chamarem atenção a algo até então “normal” aos padrões convencionados, ou seja, da violência machista, estão trazendo subsídios para tirar o machismo de sua zona de conforto onde se escondia, mandando e desmando em todas, com suas tradicionais cretinices, bizarrices, imposições e muita violência escondidas em tabus religiosos e culturais, impondo a toda sociedade a força de sua ignorância suprema e os desdobramentos disso estão por todos os lados.

Romperemos não reproduzindo valores machistas em nossas crianças; em reparar erros e tolices convencionadas por gerações machões gritantes; em um processo de reeducativo em que todas contribuam de forma a destruir os machismo e todos os padrões de exploração e opressão existentes. Porque se derrubarmos o machismo, sem destruir o capitalismo ou o Estado, estaremos fadadas a ver em pouco tempo todos os elementos para uma reação machista, controladora e brutal.

O GRITO DO MACHÃO
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