Será que assim, de forma direta dá para entender?
Quando aparece essas ideias de liderança, de lideres, de partido, só mostra e comprova o quanto estamos falhando em entender o principal objetivo: o fim da exploração e opressão nas diversas formas politica, econômica, social, étnica, sexual, gênero, espécies, religião, ou seja, em tudo em seres humanos estejam envolvidas, é possível através da proposta anarquista se fazer sem opressão e sem exploração, sendo isso um exercício de ruptura com tudo que seja a manutenção dos modelos totalitários, autoritários, hierárquicos.

Então é óbvio que lideranças, lideres ou partidos estão fora de cogitação e só pode ser algo pensado por pessoas que começaram a compreender a anarquia e que ainda estão fortemente envolvidas com os modelos tradicionais de fazer as coisas, que não compreenderam ainda que o anarquismo procura trabalhar cada pessoa de forma que seja pro-ativa, com iniciativa e buscar, de forma organizada, seja em grupos, coletivos, ou associações, agir e agir sempre. Individualmente, isso também pode ocorrer e isso exige o mesmo compromisso de ação, mesmo que isso possa levar à um erro, mas são como os erros que aprendemos.

O fato é que quanto mais se exercita assembleias e reuniões entre iguais de iniciativa, proativas, menos precisaremos de lideres, de lideranças ou de partidos, mas sem esse exercício, buscaremos o que é mais fácil, ter alguém ou algumas “iluminattis” que tendo uma “verdade”, se tornam a “vã vanguarda”, algo lamentável e que não leva ao anarquismo como prática libertadora.

No século XXI, devemos nos autocriticar, nos reavaliar em busca de novas prática que nos sirvam no processo libertador e termos lideres historicamente mostrou que sempre perpetuou-se as gerações a serem controladas pelas seguidoras de tais lideranças, não rompendo com o ciclo de exploração e opressão.

Na próxima vez que falarem de lideres, lideranças ou até de uma partidarização da anarquia, não leve a sério a provocação e tome a iniciativa de explicar, orientar e buscar unidas a compreensão que a anarquia propõe ruptura dos modelos de controle existentes e tem um potencial criativo de criação que envolve em não explorar e nem oprimir.

Revermos nossas prática para adequá-las ou abandona-las quando não a possibilidade de adequação não é algo impossível, é um árduo mas importante exercício de libertação. Caminhemos, unidas nessa tarefa de construir um mundo livre desde agora, lutando com novas armas que fogem do senso comum, da intolerância e da ignorância.

Nesse processo devemos estar resolutos que embora tenhamos os métodos de libertação, não temos o seu controle e nem somos lideres de uma nova sociedade, e sim, conjuntamente, na cotidiana reeducação sem exploração e sem opressão. Nesse processo nossa deve estar atenta as armadilhas das pessoas totalitárias, das autoritárias, das partidárias que nos procuram nivelar por suas experiências e regras, e onde muitas de nós somos, por falta de cultura e educação libertária de fato, caímos sem perceber.

Muitas andam com as partidárias, por acharem que ao se dizer “esquerda”, abre-se um guarda-chuva que todas possam se abrigar, sem nenhum dano as ideias e práticas. Para a anarquia, isso é um jogo perigoso, porque sabemos que as partidárias, no fundo atendem a demandas de poder e controle que colocam em risco todo o processo revolucionário e que mais cedo ou mais tarde atendem as demandas internas que não são nunca as da sociedade como um todo, e muito menos de nossa gente ferrada, oprimida e explorada. Lembremos que a letra da clássica Internacional:

Senhores, Patrões, chefes supremos
Nada esperamos de nenhum
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum
Para não ter protestos vãos
Para sair desse antro estreito
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito

Com toda a razão que as únicas que podem se emancipar somos nos próprias por nossas ações e ninguém mais. Lideres, lideranças, partidárias e chefias supremas, nada esperamos de nenhuma, façamos nós o que for necessário por nossa emancipação e fim da exploração e opressão.

Na próxima vez que alguém ou alguma engraçadinha ou desavisada vir com essa provocação leviana, responda que estamos construindo um mundo sem lideres, partidos ou lideranças e que ela já faz parte, precisando mudar seus (pré)conceitos como organizar uma sociedade livre e justa, onde todas participam de fato. Esse é o compromisso, sempre foi e sempre será, lutemos e o pratiquemos, porque não há melhor exemplo como prática do que propomos.
Nos vemos nas ruas, sem lideranças, chefias ou partidos!

Liderança a merda porque isso é anarquia!
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