Os sindicatos são organizações que buscam reunir grupos de pessoas em defesa de seus interesses, direitos e necessidades.

Esses sindicatos se tornam gigantescas organizações controladas e fiscalizadas pelo Estado e fortemente influenciados pelos grupos opressores e exploradores referenciados pelo capitalismo. Nessas organizações houve um processo de profissionalização, gerando uma corporação com fim em si própria e não mais para atender as necessidades de suas pessoas associadas. Uma corporação que possui todos os meios de poder e organização: dinheiro, imprensa, indicação de pessoas funcionárias. Uma estrutura moldada de forma hierarquizada e retira o protagonismo de suas base. As diretorias sindicais tornaram se detentoras dos rumos da vida de suas pessoas associadas. Em muitos casos, essas bases para que suas reivindicações tenham voz e força, agiram contra as deliberações impositivas das diretorias sindicais, levando a conflitos internos nesses sindicatos, um enorme desgaste para essas organizações.

Com as recentes reformas trabalhistas e previdenciárias, o poder hegemônico das organizações sindicais apresentado, principalmente daquelas que organizavam e representavam as pessoas trabalhadoras, empregadas foi reduzido muito. O fim do imposto sindical forçou as organizações sindicais a reavaliar suas condutas clientelistas e corporativistas porque sem o dinheiro das contribuições obrigatórias, não conseguem mais manter a sua estrutura burocrática e profissional, promovendo um enfraquecimento dessas organizações e do papel de defesa dos interesses de suas associadas, principalmente das pessoas trabalhadoras oprimidas e exploradas, dos sindicatos de pessoas empregadas. Mesmo assim boa parte dos sindicatos atrelados ao conceito de harmonia do trabalho, promovem acordos coletivos e outras convenções que atendem muito mais os interesses das patronais do que de suas associadas.

Ocorreram casos em que as pessoas trabalhadoras se organizaram a parte de seus sindicatos e foram realizar a luta que os sindicatos deixaram de fazer, mostrando a capacidade organizativa das pessoas trabalhadoras e a força da união, que paradoxalmente seria a razão de ser dos sindicatos!

Passada essa a revolta, e é silenciada, restabelece-se a antiga dominação.

Os sindicatos que deveriam ser um meio de unir forças contra a opressão e exploração das patronais, dos grupos empresariais, dos banqueiros, são encaixados na engrenagem do sistema, controlados pelo Estado, perdem sua principal característica: força organizada e autogerida das pessoas trabalhadoras. O movimento sindical de enfrentamento e resistência ao modelo capitalista e todas as formas de exploração e opressão, é absorvido como uma parte do sistema e o legitima por tornar uma voz controlada do que seria os recursos humanos, das pessoas trabalhadoras.

Em um processo de ruptura, onde as pessoas trabalhadoras, membras da sociedade capitalista passa a sua destruidora, o sindicato entra em conflito com as pessoas trabalhadoras. O sindicato torna-se legalista, pelego, sustentáculo declarado do Estado, da patronal e por ele reconhecido, ou então avança com a palavra de ordem a "pela ordem da economia, todas contribuem", sustentando a exploração e a opressão vigente. O parentesco entre associações sindicais e o organismo do Estado, tornou-se íntimo e estreito no período ditatorial de Getúlio Vargas. As estruturas sindicais estão de acordo com a organização do Estado, não somente na medida em que pelo seu poder mantêm os controle das pessoas empregadas para o lucro dos grupos burgueses, mas também porque a sua política tende cada vez mais a enganar a população por meios demagógicos e a ganhá-las unicamente em vista do seu acordo com as forças capitalistas.

O método muda segundo as circunstâncias: sórdido e brutal com os bate-paus, onde as diretorias das organizações, pela força e pela mentira impõem às trabalhadoras relações de trabalho em acordos coletivos sórdidos e vis. Em vários casos, negociações realizadas em alcovas sentenciam com a miséria milhares de trabalhadoras produtoras de riquezas.

As organizações sindicais neste contexto, apesar de uma suposta democracia formal e legal, essa organização torna impossível torná-las um instrumento revolucionário.

A força anti-revolucionária dos sindicatos não pode ser enfraquecida e destruída por uma mudança de pessoas, pela substituição das velhas diretorias reacionárias por gestões livres ou revolucionárias. É justamente a forma desta organização que torna a população quase impotente e a impede de fazer dos sindicatos os órgãos da sua vontade.

Uma revolução só pode avançar destruindo tal organização, construindo estruturas livres e autogestionárias, de assembleias soberanas da população, seja qual for o nome dado a isso.

A sua instauração é capaz de extirpar e de eliminar não somente a burocracia estatal, mas também do controle dos partidos políticos de qualquer matiz; não só formará órgãos políticos novos da população trabalhadora em oposição ao parlamento, mas também as bases de novos sindicatos livres e autogeridos, de fato revolucionários.

Os partidos afirmam de forma iludida, que uma dada forma organizativa pode ser revolucionária, somente com as boas intenções revolucionárias das pessoas e das organizações.

Mas se o conteúdo fundamental da revolução consiste no fato de as próprias populações oprimidas e exploradas tomarem nas suas mãos os seus próprios assuntos, a direção da sociedade e da produção, então é anti-revolucionária e nociva toda da forma de organização que não permita essas populações governarem por si mesmas, autogestão; portanto deve ser substituída por uma outra forma que é revolucionária na medida em que permita as pessoas trabalhadoras decidir ativamente por si mesmo sobre tudo.

Isto não deve significar, que o caso de um grupo trabalhador passivo, se deva antes de tudo criar e aperfeiçoar esta forma nova, na qual depois possa ser ativado o espírito revolucionário das pessoas trabalhadoras. Uma forma organizativa nova tem que surgir no decorrer do processo revolucionário pelas pessoas trabalhadoras que começam a estar em revolução.

A construção de novas formas organizacionais das pessoas trabalhadoras oprimidas e exploradas não poder haver nenhuma ilusão em que as estruturas sindicais atuais legais não serão de forma alguma, úteis. Um rompimento com práticas corporativas, clientelistas e colaboracionistas com o Estado e com o capital é o ponto essencial para esse movimento sindical combativo e revolucionário.

É uma idéia atraente fazer essas forças de oposição revolucionária ocuparem os espaços organizados dos sindicatos oficiais, legais, pelegos, amarelos na esperança iludida que poderia conquistar pela maioria e ocupar a diretoria dessas associações e transformá-las. Essa forma agir também é pensado em relação dos partidos políticos. Esse processo é limitado e controlado por grupos experientes que sabem controlar e isolar tentativas de aparelhamento para pretensos fins revolucionários.

A revolução não se acontece segundo um programa único e igual, mas com as explosões elementares dos grupos ativos sobre um plano provisório e transitório, dinâmico. A criação pelas forças trabalhadoras dos seus próprios órgãos de poder e de ação, implica já a deslocação e a dissolução do Estado. Um sindicato livre, autogestionário, sendo uma organização muito mais jovem, moderna e nascida espontaneamente, permanecerá por algum tempo porque tem raízes numa tradição de relações que se criam e desenvolvem de forma autónoma, uma base de resistência de luta emancipatória, muito além das necessidades básicas e pequenas do sistema capitalista, da opressão e exploração.

Da mesma forma que os sindicatos saíram das populações trabalhadoras, enquanto produtos da sua força criativa, também haverá sempre neste domínio formações novas para tentar adaptar as próprias às novas relações; neste domínio, seguindo o processo da revolução, formas novas de luta e de organização em contínua transformação e evolução serão criadas sobre o modelo de autogestão.

Artigo original no Anarkio 04, acesse aqui!

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