(texto original no A-Info 71)
A região metropolitana de Campinas (RMC) registrou oficialmente em 2016, a maior taxa de desemprego desde 2000 e são 12,11%, ou 227.169 pessoas sem emprego formal (dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego - CAGED).
Do início de ano até agora houve na região um registro de aumento de carteiras registradas, mas sem sinais de que isso significa contratação das pessoas empregadas com salário mínimo necessário.


Estamos diante de uma reorganização mundial do trabalho onde a pressão está em reduzir ao máximo as garantias trabalhistas conquistadas através de muita luta e sacrifício de milhões de pessoas trabalhadoras em todo o mundo, por mais de um século.
Os grandes grupos dominantes (empresariais, banqueiros, latifundiários, comerciais, corporações) sustentam conceitos liberais das relações econômicas e ditam que os Estados reduzam suas intervenções fiscais e que permita uma regulamentação trabalhista flexível e que permita que as pessoas empregadoras possam firmar acordos diretos com as pessoas empregadas em um processo que acelera a precarização da mão-de-obra.
Acompanhando a história política do Brasil em sua forma mais ampla, temos um recorrente discurso feito por quase todos os partidos oficiais da necessidade de enxugar a máquina estatal, deixa-la mais eficiente entregando ao setor privado o que der. Essa tese se repete desde a abertura política de 1985 e é um pilar do liberalismo no Brasil. Em contrapartida, os grupos que se auto-proclamam de esquerda (aceitam o conceito rotulador, formalizado e padronizado institucional) buscam implementar o protocolo de controle da máquina estatal ditado autoritariamente pelo o guru supremo K. Marx e chegar na xanadu da ditadura de uma elite das pessoas trabalhadoras, que também não ofereceu e nem oferecerá, por experiências comprovadas no século passado, uma estrutura sustentável que elimine as desigualdade sociais.
Nesta perspectiva, a cidade de Campinas  está com 35 mil famílias na lista de espera da Companhia de Habitação Popular - COHAB e conta com 16 áreas de ocupação irregular segundo a Secretária de Habitação.
Os esforços para reverter essa situação são poucos e estão sobre o olhar ganancioso das grandes empreiteiras e grupos empresariais que visam atender a seus interesses em primeiro lugar. Assim as especulações imobiliárias tem levado a projetos urbanos para longe das regiões centrais, gerando grandes vácuos que serão devidamente preenchidos por preços mais vantajosos. A prioridade na estrutura capitalista nunca será as pessoas oprimidas e exploradas, essas apenas serão peças para justificar práticas assistencialistas e ilusórias de controle social, além de fornecerem suas riquezas através do trabalho, única coisa que possuem de fato.
Unindo os pontos, temos dois indicadores que apontam uma estrutura desequilibrada. As pessoas responsáveis, que deveriam se ater melhor a esses indicadores e desenvolver programas e planos que revertam essas situações não se preocupam, porque as agendas que os orientam, reforçamos, se pautam em transferir a gestão para os setores privados para obterem lucros em vez de solucionar as questões básicas que afetam nossa gente.
Nem o assistencialismo esquerdóide, nem a privatização terceirizada dos grupos direitosos atendem as urgentes demandas sociais. São placebos ilusórios, que se inflam atrás de discursos meritocráticos e patriarcais que condicionam nossa gente a uma resiliência deformadora do caráter moral, levando-nos a degradação coletiva inversamente proporcionada pela ganância e ambição dos grupos de poder, sejam do lado que se coloquem.
Os fatos nos levam a assumir de vez que só sairemos dessa espiral de destruição por nossa própria força e organização, rompendo com os sofismas que os grupos de poder nos querem fazer acreditar.
Só a nossa luta nos torna dignas e livres!

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