(texto original em Aurora Obreira 76)
Sim, estamos envolvidas, querendo ou não no processo de alterações nas relações de trabalho que serão referências para as próximas décadas e afetarão diretamente nossa gente e as futuras gerações que serão submetidas as propostas indecentes de trabalho e serão degradadas ainda mais diante do quadro de opressão e exploração.
Afirmamos que todas as pessoas estão envolvidas e boa parte não tem e outras não querem as informações importantes para sua ciência nesse processo e assim agirem conforme ao que entenderem ser o mais sensato. Não é uma prática comum e difundida obter ciência e dela tomar decisões pela maioria de nossa gente, que em boa parte foi condicionada a esperar que “as lideranças” façam e tomem as decisões por elas. Isso é muito perigoso porque transfere a responsabilidade de nossas ações a pessoas terceiras que não possuem a capacidade para tal e fere profundamente o conceito de liberdade que tanta gente defende mas que de fato não compreende o que significa ser livre de fato.


Diante da Reforma Trabalhista, da qual escutamos um coro quase único por parte dos grupos dominantes, patronais, empregadores, empresariais, todos opressores e exploradores em sua lógica patriarcal, de aceitação completa da nova lei.
Esses grupos estão em festa porque finalmente sairão do embrolho da CLT/MTE que os controlavam em sua ganância de mais lucros, consequentemente, mais exploração e opressão. As novas medidas não retiram os direitos trabalhistas, mas os quebram na forma de transferir a responsabilidade contratual das pessoas empregadas para acordos individuais, onde quem conhece como os grupos patronais, empresariais atuam, vão abrir mão de seus direitos simplesmente porque diante da ganância e avareza das forças patronais, não existe limite em explorar e oprimir quem quer que seja e sim, usam de todos os recursos para atingirem suas metas de lucros e mais lucros.
Por nossa vez, as instituições que deveriam ao menos defender de forma mais forte, muito pouco fazem. Estão tão desorientadas como estamos, uma vez que o processo todo está fora da forma de atuação que estavam acostumadas. O sindicalismo dominante no Brasil é altamente corporativizado e não prevê a defesa de diversos ramos de trabalho como é o necessário agora e nem sabe fazê-lo, já que boa parte das diretorias sindicais são profissionalizadas em partidos políticos e não em luta sindical direta. A maioria se limita a fazer uma luta sindical em escritórios de advocacia, ou seja, em litígio. E isso será reduzido, uma vez que diante da coerção das forças patronais, empresariais e afins empregadoras, a maioria das pessoas trabalhadoras, empregadas serão silenciadas e afogadas em seus medos dos quais serão atormentadas diariamente pelo terrorismo que as pessoas empregadoras se utilizam: ameaças de demissões e cortes de salários pelas desculpas mais esdrúxulas que criam para apaziguar suas necessidade de lucros máximos.
O caminho que essas Reformas Trabalhistas levam é o da oficialização da precarização e terceirização, que já é a realidade de boa parte de nossa população e agora se estende para os setores das pessoas empregadas que ainda tinham alguma organização e resistência, mesmo que paliativa. Esse processo visa desorganizar de vez a nossa gente e nivelá-la a parâmetros mundiais de precarização, o que se torna muito vantajoso para as forças empresariais que precisam constantemente deslocar seus capitais para regiões onde tenham retornos mais lucrativos, o que leva a uma espiral de empobrecimento sistemático em busca de coletar as migalhas que esses capitais deixam ao passar. Esse processo especulativo não é e nunca foi vantajoso para os 99% do planeta. Causa danos demais e o pior, gera uma bolha de poder que se infla cada vez mais e sabemos que quando estoura, somos afetados desastrosamente pelos efeitos colaterais que a acumulação em demasia proporciona.
As organizações que se reivindicam representantes das pessoas empregadas, a uniões sindicais, federações, confederações e centrais estão sem chão, desorientadas porque estão diante de algo que elas não sabem como lidar. O “sindicalismo oficial, legal” brasileiro é uma estrutura corporativizada que não consegue atuar de forma unida por muito tempo e nem sabe defender as pessoas trabalhadoras de forma mais ampla e nem conseguem oferecer um estrutura que possa ser usada para luta de emancipação das pessoas trabalhadoras. Quanto muito só conseguem garantir dessídios minguados para os grupos mais corporativizados de pessoas trabalhadoras. As outras já estavam de fora e agora só se oficializa essa situação.
O anarcossindicalismo sempre atacou essa forma de organização sindical, já que retira das pessoas trabalhadoras sua capacidade de luta e resistência. Nesse momento, é importante que formemos espaços e núcleos de sindicalismo revolucionário, anarquista que vise o processo de emancipação das pessoas trabalhadoras, assumindo a responsabilidade da luta, dos espaços de produção e de distribuição, dos espaços de prestação de serviços, dos meios de transporte em todos os locais, espaços urbanos e campesinos. Sim, sabemos produzir, sabemos gerir de forma coletiva e de forma horizontalizada, temos presente que a autogestão, sem partidos, sem Estado, sem as forças patronais e empresariais, poderemos tornar nossa emancipação definitiva.
Só a luta nos dignifica e liberta! 

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