O imponente movimento a que vimos de assisitir evidenciou a necessidade de oppormos á união sagrada dos burguezes e dos patriotas, que se enriquecem á custa do trabalho, a união sagrada dos esfomeados e explorados, rebelando-se contra a ganância capitalista e contra todas as injustiças da sociedade burgueza.

O movimento é decisivo! Ou todos os explorados das officinas, das fábricas, dos transportes, dos balcões e dos quarteis se preparam para levantar bem alto sua voz exigindo justiça, e, por meio da acção impor a sua vontade, ou então, as forças da reacção – governo e patrões- se vingarão da mais bella manifestação das reivindicações proletárias que esta cidade já viu.

Soldados! Vós sois os proletarios explorados nos quarteis. Os burguezes, em nome da patria, que é uma verdade para elles que foram tudo, e uma mentira para vós que tudo soffreis, vos transformam em algozes dos vossos irmãos de miséria e de sofrimento.

Quanto não soffreis nos quarteis, porque precisam ser amaveis e até adular-vos para que presteis aos seus manejos, os burguezes vos fazem soffrer quando, despida a farda, voltais a ser os explorados dos campos ou os esfomeados das usinas e das fábricas.

Caixeiros! Vois sois os exploados dos balcões. Os comerciantes, vossos patrões, ganham fortunas colossaes a custa do vosso suor, e, para melhor explorarvos, violam as poucas leis municipaes existentes em beneficio da classe caixeral.

Carroceiros! Colcheiros! Chauffers! Motorneiros! Conductores! Machinistas! Vós sois explorados dos industriaes de transporte, que ganham milhares de contos todos os mezes como a Light e a Ingleza, pagando-vos salários irrisórios e applicando multas injustificaveis e injustificadas!

Operário! Operárias! Vós sois os martyres da civilização e do progresso.

Obreiros, productores de toda a riqueza social, ganhais salários que não bastam para matar a fome de vossos filhos: viveis em miseráveis habitações desprovidas de todo o conforto e bem-estar que os vossos braços cream, não recebeis a cultura a que tendes direito e sois, em resumo, tristes párias sociaes no meio das magnificiências de um mundo de gosos creado pela força dos vossos musculos e vossos cerebros!

A hora é decisiva! A burguezia enriquecida a custa do suor dos povos; as classes parasitarias qie se aproveitam das garantias de uma organização social deshumana e os governantes, que gosam, banqueteiam-se e se divertem enquanto o povo soffre, não terão forças para resistir vos na justa reivindicação dos vossos direitos, si a vossa união sagrada effectivar, persistindo até a victoria final.

O mundo, perturbado e saccudido na sua evolução natural pela fogueira ateada na Europa, está em vesperas de soffrer uma transformação completa.

A velha sociedade, carcomida nos seus alicerces, não poderá aguentar o peso do furacão que passa.

Estamos assistindo ao parto de um mundo novo em que reinará a justiça social.

Explorados da terra!

Não dezerteis do vosso posto de combate.

Sois a vanguarda do grande exercito, que há de escrever a página lumiadora da redempção humana!

Sois filhos do trabalho, que procurando assegurar o próprio direito á vida, reclamais pão para vossos filhos e justiça para todos.

Que há mais sagrado que direito de viver!

Os codigos e as leis, emanações da força e da vontade das classes dirigentes, estabelecem que é sagrado e inviolável o direito da propriedade.

Mentira!

Há um único direito inviolável e sagrado no esplendido código da natureza; é o direito á vida!

E antes de morrer de fome é preferivel morrer combatendo.

A Plebe

 

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