O conceito é simples: uma vida sem imposições, sem explorações, sem opressões.

Sistematizada por pessoas anarquistas  no século XIX, imaginam uma sociedade assim. Não haveria mais estado e as pessoas se relacionariam de forma direta, a criar e dividir produtos, experiências e vivências entre si. Não haveria motivos para qualquer forma de monopólio, e o conhecimento foi e é um resultado coletivo. As nações deixariam de existir, e todas as relações humanas teriam o mesmo grau de importância. “Se uma pessoa é oprimida, explorada, todas são; emancipar todas as pessoas é uma necessidade muito urgente” frase que ecoa nos documentos da união anarquista Fenikso Nigra (Campinas/SP). Um discurso bonito, mas impossível. De poucas práticas e experiências, a anarquia nunca veio a ser um fato real.

Será? 

Atualmente encontramos espaços virtuais onde se compartilham milhões em informações de forma voluntária, nos formatos de wikis. Existem plataformas abertas e colaborativas para atuação cibernética, o ciberativismo que movimentam campanhas emancipatórias por todo o mundo. De forma direta, bandeiras de 250 anos atrás se mantém atuais, como a libertação de animais, a luta feminista e o fim do capitalismo e do autoritarismo político (de direita e esquerda).

Um mundo de práticas, de referências anarquistas é possível?

Sim e não, depende da atitude e engajamento de cada pessoa.

O Estado se mantém um agente de poder muito presente, que intimida e reprime que não anda na linha que dita. O conceito de seu fim não é uma novidade, muito antes da revolução industrial, em todo mundo ocorreram comunidades de livre associação e de bases solidárias e horizontais. Boa parte por exemplo de nossas pessoas nativas viviam dessa forma até a invasão européia.

Na Europa, a temporalidade da revolução industrial indicou a importância da organização das pessoas trabalhadoras para a abolição da exploração e da opressão que sofriam. Desse processo, alguns conceitos se formaram, do entendimento de que o fim das misérias seriam fruto das próprias pessoas oprimidas e exploradas, levadas a uma organização direta, sem Estado, sem partidos, sem chefias ou equivalentes. Essa construção é um processo de inspiração coletiva e da mais ampla participação das pessoas oprimidas e exploradas, que assumem a responsa da ação e de suas consequências. Não há uma receita de bolo, mas as referências anárquicas para esse processo: apoio mutuo, horizontalidade política, federalismo anarquista (cada base é a parte essencial da federação anarquista).

Com ou sem diferenças, as pessoas anarquistas praticaram e praticam suas idéias. Algumas foram para o movimento das trabalhadoras, influenciando as pessoas para a lutas de questões do trabalho. Outras optaram por sociedades perfeitas (assim como as ecovilas atuais), em lugares distantes como no Brasil, como foi a Colônia Cecilia e Guararema. Iguais a elas ocorreram em todo o mundo.

Texto completo no jornal anarquista A-Info 79

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