Princípios Gerais do Anarquismo

Cremos que a maior parte  dos males que afligem a Humanidade é devida à má organização social; e que os homens,por sua vontade e saber, podem fazê-los desaparecer.
A atual sociedade é o resultado das lutas seculares que os homens travaram entre si. Os homens desconheciam as vantagens que podiam resultar para todos, orientando-se pelas normas de cooperação e da solidariedade. Consideravam cada um de seus semelhantes (excetuados, quando muito membros de sua), um concorrente ou um inimigo. E procuravam monopolizar, cada qual para si, a maior quantidade possível de gozos, sem pensar nos interesses dos outros.
Naturalmente, nessa luta, os mais fortes e os mais espertos deveriam vencer, e de diversas maneiras, explorar e oprimir os vencidos.
Enquanto o homem não foi capaz de extrair da natureza senão o estritamente necessário à sua manutenção, os vencedores limitaram-se a pôr em fuga e massacrar vencidos para se apoderarem dos produtos silvestres, da caça, da pesca num dado território.
Em seguida, quando, com a criação do gado e com o aparecimento da agricultura, o homem souber produzir mais do que precisava para viver, os vencedores acharam mais cômodo reduzir os vencidos à escravidão e fazê-los trabalhar para eles.
Muito tempo após, tornou-se mais vantajoso, mais eficaz e mais seguro explorar o trabalho alheio, por outro sistema: conservar para  si a propriedade exclusiva da terra e de todos os instrumentos de trabalho, e conceder liberdade aparente aos deserdados. Logo, estes não tendo meios para viver, eram forçados a recorrer aos proprietários e a trabalhar para eles nas condições que os patrões lhes impunham.
Assim, pouco a pouco, a Humanidade tem evoluído através de uma rede complicada de lutas de toda espécie – invasões, guerras, rebeliões, repressões, concessões feitas e retomadas, associações dos vencidos unindo-se para a defesa e dos vencedores coligados para a ofensiva. O trabalho, porém, não conseguiu ainda a sua emancipação. No atual estado da sociedade, alguns grupos de homens monopolizam arbitrariamente a terra e todas as riquezas sociais, enquanto que a grande massa do povo, privada de tudo, é espezinhada e oprimida.
Conhecemos o estado de miséria em que se acham geralmente os trabalhadores, e conhecemos todos os males derivados dessa miséria: ignorância, crimes, prostituição, fraqueza física, abjeção moral e morte prematura.

Continua na revista anarquista Aurora Obreira 83
  Errico Malatesta – in Anarquismo, Roteiro da Libertação Social – Edgar Leuenroth, Editora  Mundo Livre – 1963.
Digitado pela união anarquista Fenikso Nigra

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Em vista da apatia que vos domina e que ninguém ainda pode discutir, nesta cidade em que somos tão exploradas, resolvemos nós fazer uma nota em defesa de todas, esperando que não nos deixeis sós a reclamar os direitos que nos cabem indiscutivelmente. È justo recordar que já por vezes, alguns amigos nas colunas do Avanti, de La Bataglia e da A Terra Livre, surgiram em nossa defesa e as suas palavras não foram ouvidas. Mas, esperamos que não nos deixareis, a nós também, a pregar no deserto.

Devemos demonstrar enfim que somos capazes de exigir o que nos pertence; e se todas forem solidárias, se nos acompanharem nesta luta, se nos derem ouvidos, nós começaremos por desmascarar a cupidez dos patrões sanguessugas.

No último movimento de greve geral nesta cidade, ficou provado claramente que nossa classe é a mais ignorante e a mais atrasada. Nesse movimento de solidariedade operária tomaram parte todas as corporações de ofício, desde o mecânico ao marceneiro, desde o ferreiro ao carpinteiro, chapeleiros, pedreiros, quase todos os trabalhadores gráficos, os operários e operárias das fábricas de fósforos, de tecidos, de camisas, etc., os marmoristas, os ourives e muitos outros. Em Jundiaí, o comércio fez causa comum com os grevistas, fechando as portas. Aqui, em São Paulo, os próprios estudantes manifestaram as suas simpatias pelos operários, tendo de ser fechada a Faculdade. E nós costureiras? Nós passamos indiferentes pelo meio dos grevistas que enchiam as ruas da cidade e fomos trabalhar, mostrando que não tínhamos sentimento de solidariedade. E, no entanto, naquela multidão, estavam nossos pais, nossos irmãos, nossos noivos, por entre os quais passamos sem pensar que eles reclamavam um direito que também é nosso.

Companheiras! É necessário que recusemos trabalhar também de noite, porque isso é vergonhoso e desumano. 

Assinado: Tecla Fabri, Teresa Cari e Maria Lopes.

Digitado do livro Socialismo e Sindicalismo no Brasil, Edgar Rodrigues, 1969. Por Fenikso Nigra (parte do texto inteiro que está no jornal A-Info 77, acesse aqui!)

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O que se entendia por anarco-sindicalismo, ou sindicalismo revolucionário? Já bem antes do Congresso de 1906, as associações de classe principiaram a definir seus métodos de luta e suas ideologias. Muitas eram as pessoas pensadoras que definiam a doutrina do movimento operário em todo o mundo. O movimento operário do Brasil, não era só integrado por pessoas militantes de diversos países, que aqui viviam e trabalhavam, mas também mantinha intercâmbio de idéias e de imprensa, principalmente com os países da América Latina e da Europa. As Federações Operárias do Brasil tinham vínculos e filiações nacionais e internacionais, através da A.I.T (Associação Internacional das pessoas Trabalhadoras) com sede na França.
O anarco-sindicalismo era, portanto, uma idéia universal com características de solidariedade entre as pessoas.
Vejamos como suas militantes da época o definiam:
“O sindicalismo é uma doutrina e um método de luta”[1].”É um movimento que agrupa, por meio de associações (locais, industriais, regionais, federais, nacionais e internacionais), os trabalhadores, visando a defesa comum dos seus interesses imediatos e futuros, materiais e morais, profissionais, intelectuais e sociais. Dentro do sistema que preconiza, figuram em primeiro lugar a transformação da sociedade e a abolição das classes. O sindicalismo possui como bases morais, a solidariedade e o auxílio mútuo. Propugna a unidade humana, a colaboração intrínseca das pessoas trabalhadoras manuais e intelectuais, formando uma só união universal”[2].

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Qualquer federação anarquista é resultado da necessidade de união de forças para a luta e ação direta. Seu objetivo não é disciplinar ninguém, mas através do apoio mútuo e o compromisso com os conceitos anarquistas, gerar um acordo federativo, com interesses e ações onde todas possam se envolver. É um exercício de cultura social que mostra formas de relações entre pessoas pautadas em apoio mutuo, liberdade, autogestão e bem estar de cada pessoa e geral.
Isso é bem diferente de formar uma organização rigorosa e disciplinada, com um código rígido. Isso “acorrenta” o dinamismo e flexibilidade anarquista e torna a anarquia, um partido político!
Como “partido”, copiam sua linguagem, seus maneirismos, sua lógica (maioria versus minoria, votação, quadros, frentes, inserção e alianças para obter vantagens políticas para o movimento, como se isso fosse preciso), querem atuar dentro das instâncias oficiais, legais e estatais, mesmo que neguem, ou seja, uma antinomia e um paradoxo (como escreveu Proudhon).
A anarquia é rebelde, é insubmissão, querer disciplinar a rebeldia é tirar dela sua vitalidade, sua energia, suas características essenciais como pensamento de atitude direta e emancipadora.
Mas é preciso um compromisso coletivo em uma federação para que não se torne um algo solto demais, existem pontos importantes que todas aceitam como proposta comum de uma iniciativa federalista.
Quem institui isso? Não é outra federação, não é um grupo, não é uma linha de pensamento apenas, mas o conjunto todo, reunido com as armas abaixadas ou miradas contra inimigos comuns.

Acesse aqui para o texto completo na revista anarquista Aurora Obreira nº 82

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